Nonato Guedes
Desde que o ex-senador Cássio Cunha Lima ficou em quarentena política, como reflexo da derrota enfrentada no empenho para tentar se reeleger ao Congresso, o PSDB na Paraíba marca passo no projeto de expansão a que todo partido, naturalmente, aspira, e tem mesmo perdido quadros emblemáticos em cidades do Estado, a partir de Campina Grande, onde o prefeito Romero Rodrigues migrou para o PSD ambicionando ter uma legenda para chamar de sua. Cássio tem mantido o distanciamento, aparecendo esporadicamente, com intervenções sobre assuntos específicos que convocam a sua manifestação. E só.
O exercício do comando do PSDB estadual praticamente se alterna entre os deputados federais Ruy Carneiro e Pedro Cunha Lima, que em paralelo buscam se projetar na atuação parlamentar como representantes do povo, denotando proatividade em emergências como a da pandemia do coronavírus, que, por óbvio, é prioridade número um de toda a sociedade. Carneiro tenta manter acesa a chama para se viabilizar novamente como candidato a prefeito de João Pessoa este ano. Ele perseguiu o cargo em 2004 em condições aparentemente mais vantajosas, por estar na linha de frente na administração de Cícero Lucena e, não obstante, foi derrotado por Ricardo Coutinho, que alegava ter mais identidade com as pedras e os caminhos de João Pessoa, onde nasceu.
Internamente, Ruy poderia se deparar, na empreitada para tentar voltar a ser candidato a prefeito da Capital, com a concorrência de Cícero Lucena, que foi prefeito por duas vezes. Mas Lucena anda distante das hostes tucanas, embora a cabeça ainda gire em torno da hipótese de ser novamente candidato. Ele tem se sensibilizado com convites e ofertas de expoentes de outras agremiações, como o senador José Maranhão, dirigente do MDB. Especula-se que teria como alternativa migrar para o “Cidadania”, que passou a ser organizado no Estado pelo governador João Azevêdo depois que conseguiu romper os grilhões que o atavam ao ex-governador Ricardo Coutinho, do PSB. De concreto, Cícero revelou a um site noticioso que não há nada de concreto. Ou seja, segue indefinido e, aparentemente, sem ansiedade para anunciar o que fará da vida em termos políticos-partidários.
No que diz respeito à eleição em Campina Grande, o ex-senador Cássio Cunha Lima já desautorizou explicitamente quaisquer especulações em torno de hipotética candidatura sua. Governou o município de Campina Grande, que é destaque no interior do Nordeste, em três oportunidades, e entende que já ofereceu a contribuição que nas condições atemporais de temperatura e pressão poderia proporcionar, sopesadas as suas limitações em face de conjunturas. Por extensão, compreende de forma nítida que o cenário, especialmente na Paraíba, pede renovação ou alternância de valores, obedecidos os ciclos históricos inexoráveis. Não se recusa a participar de gestões de bastidores ou de discussões para escolha de candidatura representativa do esquema a que pertence, mas não briga por posição de liderança, tendo há bastante tempo reconhecido em Romero Rodrigues o papel de condutor natural da própria sucessão. Este não sinaliza ainda, de público, preferência por postulantes.
O fato é que o PSDB paraibano não parece motivado para sequer deflagrar debates em torno das eleições municipais previstas para outubro, embora cumpra as formalidades estatuídas no calendário fixado pela Justiça Eleitoral. E a calamidade decorrente do novo coronavírus, que paralisou praticamente tudo nas mais diferentes localidades do país, é um obstáculo adicional para tratativas políticas, inibindo movimentos de eventuais atores e entendimentos por parte destes, quer com lideranças afins ou com protagonistas de outros partidos que possam vir a ser atraídos para composições ou alianças nas chapas majoritárias. Ora, se os prefeitos Luciano Cartaxo (João Pessoa) e Romero Rodrigues (Campina Grande) não arriscam palpites sobre opções à sua sucessão, menos ainda arriscam líderes que não estão necessariamente na cadeia de comando da política. Que se rege, também, pelo acompanhamento das decisões tomadas por outras legendas dentro do contexto.
O ritmo de esvaziamento a que o PSDB parece submetido na Paraíba tem a ver com o próprio declínio nacional da legenda tucana, que por um tempo marcante polarizou disputas presidenciais no Brasil com o Partido dos Trabalhadores. Já na eleição de 2018, o PSDB não foi sequer coadjuvante da disputa, que foi polarizada, ainda, pelo PT com Fernando Haddad, alter-ego de Luiz Inácio Lula da Silva, e Jair Bolsonaro, que se apresentou como outsider, inobstante a trajetória como parlamentar. Há um dado que precisa ser levado em conta pelos tucanos, diante de tudo: partido sem perspectiva de poder é partido condenado à extinção. Os exemplos estão aí, inscritos na História do Brasil.
