O padre Zezinho anunciou que fará uma pausa nas redes sociais a partir do próximo domingo, 2 de agosto. Em uma publicação dirigida aos seguidores, o sacerdote informou que deixará de utilizar as plataformas digitais e manterá contato apenas com um grupo de cerca de 100 catequistas por meio do WhatsApp. Segundo ele, ainda não há decisão sobre um eventual retorno às demais redes sociais.
Na mensagem, o religioso afirmou que o afastamento ocorre após um período de intensas críticas e ataques recebidos na internet. “Cansei de ser chamado ‘câncer da Igreja'”, escreveu, ao comentar que sua defesa da Teologia da Libertação, à luz das correções feitas por São João Paulo II em documento de 9 de abril de 1986, tem sido alvo de incompreensões.
Padre Zezinho também recordou sua formação na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), fundada pelo padre Leão Dehon, e destacou sua dedicação à Doutrina Social da Igreja ao longo de seis décadas de sacerdócio.
“Foram 60 anos tentando dialogar sobre catequese católica”, afirmou. Segundo ele, outras correntes dentro da Igreja passaram a falar mais alto no debate público, enquanto sua missão sempre esteve voltada para a evangelização e a formação catequética.
O anúncio da pausa ocorre poucos dias após uma controvérsia envolvendo uma reflexão publicada pelo sacerdote sobre a forma de pregar durante celebrações religiosas.
Na ocasião, padre Zezinho defendeu que padres, diáconos e pregadores evitassem elevar excessivamente o tom de voz ou gritar ao microfone durante homilias e pregações. Segundo ele, a evangelização deve ser conduzida com serenidade e respeito aos fiéis, argumentando que o conteúdo da mensagem é mais importante do que a intensidade da voz.
A manifestação repercutiu amplamente nas redes sociais e gerou críticas de parte de católicos ligados a movimentos de espiritualidade mais carismática, que interpretaram a observação como uma crítica ao estilo de pregação adotado por alguns sacerdotes e evangelizadores. Em resposta, outros religiosos e fiéis saíram em defesa do padre, afirmando que sua fala foi retirada de contexto e que representava apenas uma orientação pastoral baseada em sua longa experiência.
Na publicação em que anunciou o afastamento das redes, padre Zezinho afirmou que uma resposta dada de forma “paterna” sobre o tema foi transformada em um confronto político e em motivo de divisão entre católicos.
“Não fiquei padre para ouvir o que ouvi e li no dia 19 de julho”, escreveu. Sem citar nomes, disse ainda que a forma como sua manifestação foi divulgada teve o objetivo de promover seu cancelamento. “Quem postou aquele confronto e a maneira como foi postado quis me cancelar e alcançou seu objetivo.”
