A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) realizou, na tarde desta segunda-feira (08), sessão especial para debater o autismo em João Pessoa: incidência, famílias e responsabilidades. O vereador Marcos Henriques (PT) foi o autor da propositura.
O parlamentar falou que a tarde foi reservada para um debate importante, necessário e urgente para as famílias de crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes. “Trata-se de um tema que envolve direitos fundamentais e que exige do poder público municipal de João Pessoa compromisso, responsabilidade e ação efetiva para garantir o atendimento adequado às necessidades dessas pessoas e de suas famílias”, afirmou.
Segundo Marcos Henriques, os desafios são muitos e não se resumem à educação. “A política pública de saúde também tem falhado em responder adequadamente às necessidades das crianças, adolescentes e adultos neurodivergentes. O acesso a especialistas, como psiquiatras, neuropediatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos continua sendo insuficiente e muitas famílias aguardam meses por uma consulta ou acompanhamento, comprometendo o diagnóstico, o tratamento e até mesmo ajustes simples de medicação, que podem ser realizados em tempo oportuno” acrescentou.
Patrícia Falcão, representante dos Conselhos Tutelares de João Pessoa, disse que, atualmente, os direitos mais violados das famílias com filhos autistas, em João Pessoa, são educação e saúde. “As mães nos procuram muito, primeiro porque só temos um psiquiatra infantil na rede municipal de Saúde, que atende na Policlínica de Mandacaru. O prazo para rever ou ajustar uma medicação chega a um ano. Muitas mães nos procuram desesperadas e nós vamos requisitar à Secretaria Municipal de Saúde para que seja prestado esse atendimento com urgência. Que possamos levar essas demandas de saúde e educação, pois estão violando os direitos das nossas crianças, adolescentes e adultos autistas”, colocou.
“Para eu estar aqui tem um misto de sentimentos. Não estou aqui só por mim e pelo meu filho, mas também para lutar pelos direitos de outras crianças e de outras mães, mulheres que estão sozinhas e exaustas, que vão buscar ajuda e muitas vezes voltam de mãos vazias”, disse Maria Cícera Batista, representante das mães e usuários dos serviços de atendimento.
Eurico Barreto, analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse que pesquisa realizada pelo órgão constatou que, na Paraíba, meninos de 5 a 9 anos tiveram um maior percentual de diagnóstico. “João Pessoa ocupa a posição 22, com 11.681 (1.4%) de pessoas diagnosticadas, enquanto Campina Grande possui 6.643 pessoas diagnosticadas. Essas duas cidades representam 39,3% do total absoluto de diagnósticos da Paraíba”, destacou.
Mari Priscila Sá, enfermeira e mãe atípica, defendeu que é preciso valorizar as políticas públicas nas áreas da saúde e da educação para as pessoas com autismo. “As pessoas autistas precisam de um acompanhamento constante e integrado. O autismo não é uma doença, é uma condição de vida”, confirmou.
Participaram ainda da sessão especial Sandra Marrocos, ex-vereadora de João Pessoa; Luciélis Magalhães, mãe atípica; Wiliana Nascimento – coordenadora de reabilitação intelectual do Instituto dos Cegos, entre outros.
