O crescimento do uso de ferramentas de inteligência artificial e aplicativos que prometem dietas rápidas e personalizadas tem acendido um alerta entre profissionais da saúde. Embora a tecnologia possa auxiliar na organização de informações, especialistas ressaltam que a IA não substitui a avaliação clínica individualizada, nem produz recomendações confiáveis com respaldo científico e acompanhamento profissional.
Na avaliação da coordenadora do curso de Biomedicina da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), integrante do Ecossistema Ânima, Laís Couto, o principal risco está na adoção de dietas geradas automaticamente, sem considerar fatores biológicos fundamentais de cada pessoa.
“Uma inteligência artificial trabalha com padrões de dados, mas o organismo humano não funciona de forma padronizada. Cada indivíduo possui histórico clínico, necessidades metabólicas e respostas hormonais diferentes. Seguir uma dieta produzida sem avaliação adequada pode trazer prejuízos importantes à saúde”, explica.
De acordo com a docente, dietas muito restritivas podem comprometer o bom funcionamento do organismo, afetando energia, disposição e até a regulação hormonal. “Quando há redução exagerada de calorias ou exclusão inadequada de nutrientes, o corpo responde biologicamente. Isso pode provocar alterações hormonais, fadiga, perda de massa muscular e deficiência de vitaminas e minerais essenciais”, destaca.
Outro ponto de atenção levantado por Laís Couto é ausência de protocolos validados em muitas plataformas digitais. O que reforça a importância da análise clínica e laboratorial para decisões alimentares mais seguras. “A IA não entende a variabilidade genética e nem consegue avaliar o contexto clínico completo do paciente. Existe ainda o risco de vieses nos dados utilizados por essas ferramentas, e isso pode gerar recomendações inadequadas ou até perigosas”, acrescenta.
Nutrição adequada
Nutricionistas são os únicos profissionais legalmente habilitados para prescrever dietas e planos alimentares, sendo a avaliação com esse especialista fundamental para a segurança e eficácia do tratamento.
O nutricionista e professor da FPB, Pedro Lima, enfatiza que o acompanhamento continua sendo indispensável para o alcance de resultados sustentáveis. “Dietas não devem ser encaradas como fórmulas prontas. O que funciona para uma pessoa pode ser prejudicial para outra. É necessário avaliar rotina, exames, histórico de saúde e objetivos individuais antes de qualquer orientação alimentar”, afirma.
Pedro salienta também que a inteligência artificial pode atuar como ferramenta complementar, mas nunca como substituta da avaliação clínica individualizada. A recomendação é que qualquer mudança alimentar seja feita com orientação profissional e baseada em evidências científicas, evitando riscos à saúde.
“A tecnologia pode ajudar na educação em saúde e até no acompanhamento de hábitos, mas ela não substitui o olhar clínico e o suporte multiprofissional envolvendo nutricionistas, médicos e outros especialistas”, conclui.
