Max Oliveira
O prefeito Leo Bezerra inaugurou, nesta quinta-feira (2), uma iniciativa inovadora que promete transformar a coleta seletiva de resíduos em João Pessoa, aliando sustentabilidade e geração de renda. Com a entrega do primeiro Ecoponto da Capital, no bairro Valentina Figueiredo, a Prefeitura passa a remunerar, por meio de pagamento via Pix e de forma imediata, os cidadãos que entregarem materiais recicláveis no local. A ação incentiva o descarte correto dos resíduos, fortalece a cadeia da reciclagem e amplia a participação da população na construção de uma cidade mais limpa, consciente e sustentável.
O prefeito explicou que, até o final do ano, serão cinco Ecopontos funcionando em João Pessoa, com o próximo que será implantado na sede da da Autarquia Especial de Limpeza Urbana (Emlur), no Bairro dos Estados. “Com este espaço, reforçamos que não é necessário realizar o descarte irregular de resíduos nas vias públicas – o local adequado para o descarte é o Ecoponto. Estamos preparados para expandir este projeto. Este é o primeiro de cinco Ecopontos que planejamos instalar em nossa Capital”, afirmou o prefeito durante solenidade que também teve apresentação do grupo musical Baticumlata, formado por servidores da Emlur.
Projeto do Ecoponto – O superintendente da Emlur, Ricardo Veloso, explicou que o Ecoponto foi idealizado a partir do período de carnaval quando, em parceria com o Ministério Público, a Prefeitura viu a oportunidade de direcionar esforços para as cooperativas. O prefeito Leo Bezerra acolheu a ideia e viabilizou o projeto, expandindo para toda a população, ou seja, além das entidades que fazem a catação, qualquer pessoa pode participar.
“Mais do que um projeto de gestão de resíduos, esta é uma iniciativa socioambiental. O que antes era considerado apenas lixo, passa a ser uma oportunidade de geração de renda. Conheço relatos de famílias que foram sustentadas e cujos filhos hoje são profissionais graduados graças ao trabalho com a reciclagem. Ao ampliar este projeto, nosso objetivo é proteger aqueles que frequentemente são explorados por atravessadores, que adquirem os materiais por preços muito abaixo dos praticados pelo mercado”, afirmou o superintendente da Emlur.
Benefício ambiental – O Ecoponto passa a funcionar em parceria com a empresa Orizon, representada na solenidade por Marina Garcez, diretora de Economia Circular. “O desafio central reside em assegurar que esses materiais retornem efetivamente à cadeia produtiva. Desviar resíduos para o reprocessamento, reinserindo-os no ciclo industrial, o que gera valor e renda para a população, além de promover benefícios ambientais significativos”, destacou Marina Garcez.
Precificação acima do mercado – O diferencial do Ecoponto reside, primordialmente, na eliminação do intermediário — o sucateiro ou atravessador. Ao possibilitar que o catador autônomo e o cidadão vendam o resíduo diretamente à indústria que o transformará, os valores são praticados na faixa de 30% a 40% superior ao mercado convencional, em relação a remuneração.
“Na cadeia tradicional, o catador coleta o material e o repassa a um atravessador que, por vezes, não possui escala para fornecer diretamente à indústria. O resíduo acaba passando por múltiplos agentes antes de chegar ao seu destino final, o que reduz significativamente o ganho do coletor. Ao conectar o catador diretamente à indústria de transformação, eliminamos essas etapas e repassamos o valor integral ao agente ambiental”, explicou Yanco Ivanovich, que representa a empresa RY Reutilizável, que opera junto a Orizon na gestão dos resíduos.
