Eu só vou contar porque sei que vocês vão guardar segredo.
O certo é que eu estava no almoço que Trump ofereceu a Lula na Casa Branca.
Confesso que não gosto muito desses rapapés palacianos, mas não resisto a feijão e fiquei com vontade de conhecer como era o purê dele.
Entrei de penetra, fugindo da imigração, e ninguém me notou, claro. O povo de Trump pensou que eu era da comitiva de Lula. E vice-versa. Então, ninguém incomodou.
Na entrada, muita salada de alface, que adoro. Tive dificuldades para escolher o garfo da salada. Fiquei como Julia Roberts, contando os dentes do garfo para saber qual usar. Tinha laranja também, talvez em homenagem ao anfitrião. Abacate, que não comia desde quando mãe fazia vitamina dela pra gente criança. E um tal de jicama, que estranhei, mas gostei do sabor levemente adocicado.
No prato principal, enchi a pança. Comer feijão nos Estados Unidos não deve ser fácil. Lembrei de quando fui a Buenos Aires e depois de três dias, implorei num restaurante para comer feijão. Achei estranho o purê de feijão preto, porque preferia o “capitão” que a gente fazia quando pequeno, misturando feijão com farinha. O filé grelhado estava de acordo com meu paladar, assim como os pimentões. Ignorei o relish de abacaxi, porque tenho alergia a essa fruta.
A sobremesa, quase não entra, porque já estava de bucho cheio. Mesmo assim, lambi os beiços com panacota de mel, pêssego caramelizado e sorvete de creme.
Enquanto comíamos, Lula e Trump conversavam amenidades. Nada mais justo depois de uma longa reunião burocrática.
Falaram sobre a Copa do Mundo e Trump mangou do Brasil, cujo principal astro, Neymar, joga uma partida e dez não. “Nosso craque Messi tá velhinho, mas pelo menos ainda joga muito e não fica batendo em jogador nos treinos”, comemorou. Daí, Lula teve que lembrar a ele que Messi não é da seleção dos Estados Unidos, mas da Argentina. Trump ficou com cara de laranja azeda. Na certeza confundiu o futebol da Copa do Mundo de junho com o futebol americano.
Depois de todo mundo se fartar, foram pra foto oficial do encontro.
Trump de cara fechada, como sempre. E Lula: “Vamos sorrir, presidente! Sorria!”.
Nem Fernanda Torres faria melhor.
