Estive ontem na sede da Rádio Tabajara, emissora onde trabalhei por três décadas. Ao atravessar novamente aquelas portas, a sensação foi a de sempre: um filme inteiro passou pela cabeça, cena por cena, sem cortes. Da equipe antiga, encontrei apenas dois colegas — Pires e Juarez Diniz. Os demais funcionários já não são da minha época, o que é natural. O tempo passou, a rádio mudou, mas a ligação que tenho com ela permanece intacta.
Costumo dizer, sem exagero, que grande parte da minha vida está ligada à Rádio Tabajara. Falo precisamente da Tabajara AM, que não existe mais. A emissora migrou para o FM, mudou de formato e também de nome. Hoje se chama Parahyba FM, 103.9. A marca Tabajara desapareceu do dial, não por acaso, mas por uma questão histórica: já existia a Tabajara FM, irmã da antiga AM, o que inviabilizou o uso do nome na nova frequência.
Dentro da rádio Tabajara, vivi praticamente todas as funções possíveis. Fui locutor noticiarista, entrevistador, repórter de política, redator. Durante oito anos consecutivos, ocupei o cargo de diretor operacional e de programação — o posto mais alto que alcancei como funcionário da casa. Foram anos intensos, de muita responsabilidade, decisões diárias e compromisso com o serviço público da comunicação.
Apresentei por muito tempo o principal programa de jornalismo da emissora, o Jornal Estadual, que mais tarde passou a se chamar Revista Estadual. Ali, no microfone, acompanhei e narrei fatos que marcaram a história da Paraíba, sempre com o cuidado de informar com seriedade e equilíbrio.
Por indicação de Petrônio Souto, então superintendente da empresa e responsável por importantes parcerias institucionais, tornei-me correspondente da Revista Nacional, da Rádio Nacional de Brasília. Entrava ao vivo todos os dias, levando informações da Paraíba para todo o país. Essa parceria rendeu ainda uma participação especial no programa Boa Noite Angola, ampliando horizontes e mostrando como a comunicação pública pode atravessar fronteiras.
Foram muitas outras atividades desenvolvidas ao longo desses anos, todas elas carregadas de aprendizado, desafios e, sobretudo, paixão pelo rádio. Na visita de ontem, alguém me perguntou se eu sentia saudade da Rádio Tabajara. A resposta não é simples. Não vou dizer que não sinto, mas também não é aquela saudade de estar diante do microfone, com o fone no ouvido e o relógio correndo contra o tempo.
A saudade maior é dos antigos companheiros, daqueles que já não estão mais no batente, mas que ajudaram a construir a história da emissora e, de certa forma, a minha própria história. A Rádio Tabajara pode ter mudado de nome, de frequência e de geração, mas tudo o que vivi ali continua no ar — guardado na memória, como um programa especial que nunca chega ao fim.
