As eleições de 2026 colocam os candidatos sem mandato diante de um desafio ainda maior na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Com a maioria dos atuais parlamentares decidida a permanecer em Brasília, a tendência é de uma competição marcada pela força política, estrutura partidária e visibilidade de quem já ocupa uma cadeira no Congresso.
Levantamento divulgado pelo UOL aponta que cerca de 85% dos deputados federais estão concorrendo à reeleição. São 434 dos 513 parlamentares em busca de um novo mandato. O número indica que a renovação da Câmara tende a ser pequena.
O cenário não significa, entretanto, que a eleição esteja fechada para os chamados “novatos”. A disputa proporcional não é uma corrida individual simples: as vagas são distribuídas de acordo com o desempenho dos partidos e federações. Isso abre espaço para que um candidato sem mandato conquiste uma votação expressiva e seja beneficiado pelo desempenho de sua legenda.
Quem já ocupa uma cadeira na Câmara parte, em tese, de uma posição privilegiada. Tem exposição pública, equipe, presença institucional, histórico de atuação, relações políticas consolidadas e, em muitos casos, uma estrutura eleitoral construída ao longo de anos. O parlamentar também pode apresentar ao eleitor resultados do próprio mandato, especialmente em áreas como liberação de recursos, articulação política e destinação de emendas.
Na Paraíba, o cenário é particularmente desafiador para quem pretende conquistar uma das 12 cadeiras da Câmara dos Deputados sem estar atualmente no exercício do mandato.
O Estado tem 12 vagas na Câmara, e a atual bancada é formada por Aguinaldo Ribeiro, Cabo Gilberto Silva, Damião Feliciano, Gervásio Maia, Hugo Motta, Luiz Couto, Mersinho Lucena, Murilo Galdino, Romero Rodrigues, Ruy Carneiro, Wellington Roberto e Wilson Santiago.
O levantamento divulgado nesta segunda-feira (17) pelo UOL aponta que todos os deputados paraibanos estão tentando permanecer na Câmara. A Paraíba está entre os estados nordestinos em que a totalidade da bancada disputa a reeleição.
Isso significa que, para um candidato sem mandato, não há inicialmente uma cadeira “aberta” pela saída de um parlamentar. Para entrar, será necessário conquistar espaço dentro de uma disputa em que todos os atuais ocupantes estão tentando preservar suas posições. Mas isso não significa que os 12 estejam automaticamente eleitos.
O que pode fazer um “novato” furar a bolha?
O primeiro fator é a capacidade de transferência de votos e de formação de uma rede política. Um candidato que tenha sido governador, prefeito, vereador, deputado estadual, secretário ou que possua forte inserção regional não necessariamente começa do zero. Ele pode não ter mandato federal, mas pode carregar um capital político considerável.
Outro elemento decisivo é a chapa partidária. Um candidato com votação individual elevada pode ter dificuldade de se eleger se estiver em uma legenda com desempenho insuficiente. Da mesma forma, uma chapa competitiva pode ampliar as possibilidades de eleição de nomes que, individualmente, não figurariam entre os mais votados.
A força territorial também pesa. Na Paraíba, onde existem regiões com características políticas bastante próprias, construir uma votação consistente em diferentes municípios pode ser mais importante do que concentrar uma votação muito alta em apenas uma área.
A pergunta não é apenas se um candidato sem mandato tem condições de derrotar um deputado que busca a reeleição. A questão central é se ele consegue construir uma votação suficiente para ocupar uma das vagas que serão distribuídas pela matemática eleitoral.
Na Paraíba, com 12 cadeiras e todos os atuais deputados novamente na disputa, o caminho tende a ser mais estreito. Mas não está fechado.
