O Facebook esta semana foi pródigo em lembranças da instalação da Academia Cajazeirense de Artes e Letras em maio de 2019. Lembro como se fosse hoje do processo de formação da nossa ACAL, já que participei de algumas reuniões com Francisco Sales Cartaxo (Frassales), Francelino Soares e Ubiratan di Assis para discutir nomes dos futuros patronos e patronesses e até coisas básicas, como regimento e estatuto. Lembro da festa de posse no Cajazeiras Tênis Clube e do discurso visionário de Frassales, nosso primeiro presidente, falando da necessária pluralidade da entidade.
Corte para 2026!Esta semana, a historiadora Nadja Claudino foi reeleita para mais um mandato à frente da ACAL, tendo o professor Chagas Amaro como vice e uma diretoria composta por confrades e confreiras valiosos e representativos da entidade. A reeleição foi em chapa única, como aconteceu nos demais pleitos que elegeram Frassales e Mariana Moreira, o que prova que, ao fim e ao cabo, não há a busca pela competição na disputa pela presidência da ACAL. Divergências e questionamentos hão de sempre existir, e são necessários para o aperfeiçoamento da instituição.
O que é ruim para a ACAL, e para qualquer instituição nos moldes da Academia, é quando essas divergências extrapolam o limite do bom senso, até porque, como disse Frassales em seu discurso de posse, não há um norte único entre os integrantes da entidade. Por isso, fiquei surpreso e triste quando soube que o confrade Sebastião Moreira renunciou à cadeira número 1 da ACAL, cujo patrono é o Padre Inácio de Sousa Rolim.
Sobre isso, eis o teor de sua carta enviada à presidência da ACAL: “Senhora Presidente: Nesta data e por este ato, apresento a Vossa Excelência a minha renúncia à Academia Cajazeirense de Artes e Letras, nos termos do que me faculta o artigo 16 e seus parágrafos do Estatuto da egrégia Instituição. Deus guarde a Vossa Excelência. Cordialmente, Sebastião Moreira Duarte”.
Sebastião Moreira Duarte é sócio-fundador da cadeira nº 1, cujo patrono é Padre Inácio de Sousa Solim. Natural do sítio Olho D´Água do Melão, município de Baixio, Ceará, Sebastião é considerado um dos membros mais qualificados da entidade. Licenciado em Filosofia e Pedagogia, é professor aposentado da Universidade Federal do Maranhão. É mestre em Administração Universitária pela Universidade do Alabama (1976) e doutor em Literatura Comparada Latino-Americana pela Universidade de Ilinois – USA (1992). É membro da Academia Maranhense de Letras e autor de vários livros, entre eles “Do miolo do sertão”.
Penso que não podemos abrir mão de nomes como Sebastião Moreira e nem de qualquer outro entre os sócios-fundadores e os que vierem a ingressar a ACAL no futuro. São nomes que qualificam a entidade e fazem falta quando olhamos o retrato em branco no álbum de posse.
A ACAL é uma entidade jovem ainda. Mesmo assim, sua criação catapultou o surgimento de outras entidades do gênero pelos sertões paraibanos. Algumas em estágios bem avançados, de criação de bibliotecas e até de busca de uma sede própria. Nós precisamos trazer de volta aquele vigor e entusiasmo para fazer algo realmente diferente pelas letras e pela cultura cajazeirense. Conversei recentemente com a presidente Nadja Claudino e pontuei algumas coisas que acho urgente lutar para que elas se concretizem. Uma delas, o preenchimento das cadeiras vagas. Caso se confirme a renúncia de Sebastião Moreira, passamos a ter quatro cadeiras vagas.
Não entendo porque não conseguimos colocar um edital nas ruas convocando eleições para novos sócios, quando isso é fato corriqueiro em todas as demais academias espalhadas pelo Brasil. Pontuei também sobre a necessidade de uma sede própria, e não apenas uma sala numa repartição qualquer. Não seria possível conseguir apoio de alguma parlamentar para colocar uma emenda que gere recursos para a ACAL adquirir ou construir sua sede? A presidente considerou pertinente meus questionamentos e acredito que consiga agilizar tais demandas neste segundo mandato.
A posse solene da nova diretoria está marcada para este domingo (24), às 17h, no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cajazeiras. A expectativa é que passado esse momento festivo, ativemos o modo ação na ACAL. E que o confrade Sebastião Moreira reconsidere sua decisão, com a mobilização em torno disso de todos os membros da ACAL, inclusive de sua nova diretoria.
