O acadêmico Hildeberto Barbosa Filho escreveu, em suas redes sociais, um texto acerca dos critérios de ingresso na Academia Paraibana de Letras (APL), da qual ele próprio é integrante. A manifestação ocorre em um momento em que a instituição se prepara para preencher uma nova vaga, aberta após o falecimento de Eilzo Matos.
Na publicação, Hildeberto chama atenção para o que considera uma incompreensão, por parte de muitos, sobre o real papel das academias de letras. Segundo ele, essas instituições vão além da reunião de escritores, configurando-se como um patrimônio histórico, cultural e simbólico. “Cuidam do valor, da correção, da beleza do idioma e preservam a memória cultural de suas respectivas regiões”, pontua.
O acadêmico destaca ainda que as academias se fundamentam no princípio da conservação, atuando como guardiãs de um legado construído ao longo do tempo. Nesse contexto, relembra nomes que marcaram a história da APL, como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rego e Ariano Suassuna, entre outros, ressaltando que essas figuras devem servir de referência tanto para os atuais membros quanto para os que aspiram ingressar na instituição.
Apesar disso, Hildeberto afirma que há um distanciamento entre esse ideal e a realidade observada. Ele critica o que define como um processo de “banalização das academias”, no qual pessoas sem os requisitos intelectuais e éticos necessários buscariam ocupar cadeiras nas instituições.
O escritor também menciona comportamentos que considera prejudiciais à imagem da APL, como atitudes de soberba e desdém em relação à própria academia, por parte de alguns indivíduos.
Ao final, Hildeberto Barbosa Filho defende a necessidade de uma reflexão interna mais rigorosa, sugerindo que a instituição retome parâmetros mais exigentes e alinhados à sua trajetória histórica. “Me parece que muitos dos meus pares, de dentro e de fora, não compreendem bem o sentido dessa instituição, uma vez que demonstram desconhecer a sua riqueza concreta e a sua espessura simbólica”, escreveu.
