O jornalista e procurador do Estado Petrônio Souto lançou, na noite de ontem, o livro ‘PS em poucas letras’, em evento realizado na Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa. O encontro reuniu amigos da imprensa e nomes da cultura local, marcando a estreia do autor na literatura.
Reconhecido por sua trajetória na radiofonia paraibana, Petrônio fez história à frente de programas jornalísticos na extinta Arapuan AM, onde alcançou liderança de audiência e se consolidou como uma das vozes mais influentes do rádio no estado.
Agora, ele inaugura uma nova fase como escritor. Este é seu primeiro livro, mas, segundo o próprio autor, outros títulos já estão por vir. Para contar sua história, Petrônio escolheu um formato singular: as quadras.
A escolha dá sentido ao título da obra. “O que ele poderia escrever numa autobiografia está condensado nesses pequenos recortes produzidos com rigor métrico e rítmico”, destaca o professor e escritor Chico Viana, responsável pela apresentação do livro.
Ao longo das páginas, Petrônio revisita memórias e afetos profundamente ligados à cidade de João Pessoa. O bairro do Roger, onde viveu por mais de vinte anos, aparece como um dos principais cenários de sua trajetória. Já a orla marítima da capital, onde passou a viver mais recentemente, surge como espaço de contemplação e conexão com o mar: “Do mar tudo me aproxima, sem ele, não sei viver. Quando for pro andar de cima, não sei como vou fazer”.
Vivendo atualmente da aposentadoria, o autor também abre espaço para reflexões sobre a forma como os aposentados são tratados no Brasil. Em tom sensível e crítico, aponta dificuldades enfrentadas por essa parcela da população, especialmente no serviço público. “Quando o velho sente dor, quase tudo lhe é negado — principalmente se for aposentado do Estado”, sugere em sua escrita.
A obra se encerra com uma quadra que funciona como uma despedida simbólica e reafirma seu vínculo com o litoral paraibano: “Que minhas cinzas sejam enfim lançadas na dobra entre Cabo Branco e Seixas. Lá, meu barco terá velas içadas para que nele sigam minhas queixas”.
Entre memórias, críticas e poesia, ‘PS em poucas letras’ apresenta um Petrônio que, após uma carreira consolidada no jornalismo, encontra na literatura uma nova forma de expressão: concisa, rítmica e profundamente pessoal.
