Houve um tempo em que a Associação Paraibana de Imprensa (API) era uma espécie de cereja do bolo do jornalismo no estado. Para lá, para sua sede na Visconde de Pelotas, acorriam todos os temas mais pertinentes da política, da cultura e dos movimentos sociais paraibanos. Não só isso! A entidade costumava se posicionar sobre assuntos polêmicos e, claro, em defesa da categoria. Feita uma eminência parda da história da Paraíba, a API era referência e todo jornalista queria presidir a entidade.
A primeira vez que votei na API foi em Nonato Bandeira, que abriu a entidade para eventos culturais de uma forma nunca antes vista. O Terraço Cultural se tornou, então, ponto de encontro de artistas e intelectuais, mesmo de quem não era filiado aos quadros da entidade. Depois, vieram outros presidentes que seguiram na mesma pegada, como Antônio Costa. Cheguei a disputar a vice-presidência da entidade, em chapa encabeçada pelo amigo Agenilson Santana. Foi uma eleição acirrada, como eram os pleitos da API. Perdemos por pouquíssimos votos, após diversas recontagens, para José Euflávio, que tinha como vice João Pinto, que depois se tornaria presidente em outros mandatos. Também fui diretor de Cultura na gestão de João Pinto.
Como disse, as eleições por essa época na API eram acirradas. Rodadas de telefonemas eram realizadas a partir das residências dos candidatos de então. Chegávamos em tais casas, pegávamos a lista de sócios da API, que na época já passava de mil nomes, e começávamos os telefonemas para pedir votos dos associados. Às vezes, a gente ligava para um associado e ele dizia: “Infelizmente já fechei com a outra chapa”. E aí partíamos para outro nome da lista.
Não era tudo pacífico, obviamente. Como toda disputa eleitoral, não faltavam rusgas, desentendimentos, alguns que se prolongavam mesmo após o período das eleições. Com o tempo, os ânimos se arrefeciam e a amizade retornava. Falo do meu tempo, mas antes já havia esse clima de acirramento. O mano Nonato Guedes, que foi presidente da entidade, tem muitas histórias para contar de sua época, da busca de apoios até de partidos políticos que se infiltravam com interesse em ter um filiado na presidência da API. Além dos nomes aqui citados, a Associação teve outros grandes presidentes, como Agnaldo Almeida, Walter Santos, Rubens Nóbrega, Carlos Aranha, Marcela Sitônio, e bem mais atrás Samuel Duarte, Orris Barbosa, Adalberto Barreto, José Leal e Gonzaga Rodrigues. Hoje é presidida pelo jovem Marcos Weric. Cada presidente com sua característica, mas todos de alguma forma contribuindo para a história da entidade.
Hoje, infelizmente, a API já não é mais a mesma. Falo no sentido de despertar empatia e envolvimento, seja de seus associados ou mesmo da sociedade civil e política. Hoje a API parece mais um retrato desbotado na parede. Por que isso? Poderíamos elencar muitas razões. A começar com o esvaziamento de entidades e sindicatos em todo o país ao longo dos tempos. Não só a API. Sindicato dos Jornalistas e entidades como CUT pouco aparecem hoje em dia. Existem, mas ninguém fala delas ou sabe o que andam fazendo. No caso da API, as diretorias têm que se ajustarem aos novos tempos do jornalismo, hoje mais virtual por conta do fim dos periódicos impressos. Como trazer as novas gerações para a Associação Paraibana de Imprensa? Esse um desafio para quem preside ou quer presidir a entidade. Há muito o que fazer ainda, muito o que protestar, sobre muito o que se posicionar.
Em tempo: A API foi fundada em 7 de setembro de 1933, uma quinta-feira, às 21h, na sede do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano – IHGP. No estatuto da API naquele ano inicial o artigo 1 dizia: “A Associação Paraibana de Imprensa – API, tem por princípio fundamental a plena liberdade de imprensa e como fins a orientação, a defesa, a assistência social e cultural e a união dos jornalistas e seus demais associados em todas as áreas de atividade profissional”. Na ocasião o ministro da Aviação e Obras Públicas, José Américo de Almeida (governo Getúlio Vagas), foi aclamado presidente de honra.
