Por Nonato Guedes – site Polêmica Paraíba
De volta ao colunismo político, dados os avanços em tratamento de saúde a que me submeto, dou partida a análises individuais sobre a campanha pelo governo da Paraíba nas eleições de outubro, enfocando as três candidaturas que estão bem posicionadas no ranking de pesquisas de intenção de voto por parte do eleitorado.
Abro a série com a performance do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), que é apoiado pelo governador João Azevêdo (PSB) e por outros políticos de expressão da base. Embora pertença a uma família com tradição política e base em Campina Grande, segundo colégio eleitoral do Estado, Lucas ainda está construindo um currículo mais denso nessa atividade.
Ele foi ejetado da cadeira de vice-prefeito de Campina, na primeira gestão de Bruno Cunha Lima (União Brasil), para a cadeira de vice-governador na segunda gestão de João Azevêdo, num acordo que levou seu tio, deputado federal Aguinaldo Ribeiro, a refugar uma candidatura ao Senado e optar pela reeleição à Câmara.
Um outro movimento de acomodação feito pelos Ribeiro para pavimentar a trajetória de Lucas foi a decisão da sua mãe, senadora Daniella Ribeiro, de abrir mão de uma candidatura à reeleição, o que favoreceu pretensão do prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do deputado Hugo Motta, do Republicanos, presidente da Câmara Federal, de compor dobradinha senatorial com João Azevêdo.
Nas pesquisas preliminares que têm sido publicizadas, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), desponta em primeiro lugar, seguido a uma boa distância por Lucas e vindo em terceiro o senador Efraim Filho, do União Brasil, candidato declarado do bolsonarismo com penetração nas classes produtoras.
O crescimento de Lucas tem sido vegetativo mas animador para ele e seus aliados, que trabalham, também, com a hipótese de baixa rejeição do candidato oficial.
Lucas aparentemente tem dois trunfos na manga para ganhar visibilidade e acelerar a ocupação de espaços na corrida pela preferência popular. O primeiro é que, como vice-governador, adquiriu domínio da estrutura administrativa, bafejado pela gestão compartilhada que João Azevêdo adotou.
Ele representou o Estado em eventos nacionais de repercussão, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, e cumpriu inúmeras missões delegadas pelo titular do cargo, familiarizando-se mais de perto com o mister administrativo. Por assim dizer, tem sido forjado na lida prática do poder, enfronhando-se nos bastidores das relações e das tensões políticas que orbitam em torno do Executivo.
Com a desincompatibilização de João Azevêdo em abril, amplia-se a possibilidade de massificação da imagem de Lucas, pela presença constante que terá em municípios, na dupla missão de conquistar votos e de fazer entregas de obras dentro dos limites da legislação eleitoral.
Em termos de suporte partidário, a pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro está encorada no apoio de legendas como o Republicanos, PSB e PP, com tentáculos plantados dentro do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), que oficialmente não firmou posição a nível local e que tem sido cortejado com insistência pelo esquema do prefeito Cícero Lucena e do senador Veneziano Vital do Rêgo.
De todo modo, o palanque de Lucas ao governo deverá se engajar à campanha pela reeleição do presidente Lula, dadas as ligações do governo João Azevêdo com o Planalto, independente da formação de outros palanques pró-Lula no Estado da Paraíba.
Há dúvidas sobre a presença de Lula no primeiro turno em solo paraibano, mas líderes políticos em Brasília quebram cabeça para montar uma estratégia de aglutinação, não de dispersão de votos por todo o país.
Evidente que Lucas, por ser o candidato do governo, sofrerá bombardeio da parte dos adversários, mesmo do prefeito Cícero Lucena, que foi parceiro de João Azevêdo e que teceu elogios reiterados não só à parceria como ao “bom momento” vivido pelo Estado na atual conjuntura em termos de crescimento social e de infraestrutura.
A expectativa é quanto ao desempenho de Lucas em debates de que participará em emissoras de rádio e televisão, mas ele já está sendo preparado para exibir desenvoltura e agilidade no bate-rebate de versões que pontuarem a artilharia dos concorrentes.
Mesmo adversários reconhecem que a estrutura de sustentação de Lucas é forte e que isto pode se transferir por gravidade para o candidato. Em política, é preciso gostar do poder, ou seja, ter apetite para exercê-lo.
O vice-governador tem dado sinais de que possui afinidade com o poder e disposição para dar continuidade a projetos, sobretudo os que apresentaram resultados na Era João Azevêdo.
